Separar conta pessoal da conta da empresa: a regra das 4 partes
A padaria vende todo dia e mesmo assim falta dinheiro no dia 20? A regra das 4 partes separa o dinheiro da empresa do seu e evita o buraco no fim do mês.
A padaria vende todo dia e mesmo assim falta dinheiro no dia 20? A regra das 4 partes separa o dinheiro da empresa do seu e evita o buraco no fim do mês.

A Dona Bernadete acorda às quatro da manhã e a padaria vende. Vende bem. Todo dia passa gente no balcão, e no grupo da igreja ela conta que o movimento tá bom.
Só que no dia 20 do mês, quando a folha vence, ela liga pro fornecedor pedindo mais quinze dias. E no fim do mês vai ao banco tentar um empréstimo pra fechar o caixa.
Como é que uma padaria que vende todo dia passa aperto?
Porque o dinheiro que entra na empresa não é dela. E ninguém nunca separou.
O erro mais comum de quem tem empresa pequena não é vender pouco. É confundir faturamento com lucro.
Faturamento é tudo que entra no caixa. Mas quase tudo que entra já chega com dono: a folha dos funcionários, o fornecedor que entregou a semana passada, o imposto do mês. O que fica na gaveta à noite parece lucro. Não é. É compromisso do dia seguinte.
A Dona Bernadete olhava o caixa cheio e via dinheiro dela à disposição. Com essa certeza errada, pagou a conta de luz da casa na conta da padaria. Tirou dinheiro pra presente de neto, pra remédio, pra imprevisto da família. Cada retirada parecia pequena. Somadas no fim do ano, viraram o buraco que quase fechou as portas.
A verdade que dói é essa: quem abre empresa quer mudar de vida, e é justamente quem mais precisa do dinheiro que acaba quebrando a própria fonte.
O erro não foi vender pouco. Foi não separar.
A regra é simples: o dinheiro que entra já nasce dividido em 4 partes. No mesmo dia em que entra, cada parte tem destino:
É a parte que mantém a porta aberta amanhã. Em muitos comércios, é a maior fatia: de cada R$ 10 mil que entram, é comum R$ 6 mil já estarem comprometidos com fornecedor e folha. Esse dinheiro não é do dono, é de quem entregou mercadoria e de quem trabalhou.
Empresa que não reinveste não cresce, só sobrevive. Uma parte do que entra volta pro negócio: equipamento, estoque, reforma, treinamento. É o que faz a padaria do ano que vem vender mais que a de hoje.
Do que sobrar de verdade, sobra lucro. E a primeira coisa que o lucro paga é a reserva. O recomendado é acumular entre 3 e 6 meses de custo fixo. É a reserva que faz a empresa aguentar um mês ruim sem empréstimo e sem juros.
Só depois da reserva vem a retirada. E a retirada tem limite.
O dono tem salário: o pró-labore. Um valor fixo, mensal, que caiba no que a empresa aguenta pagar. Não é "o que sobrou no mês", nem "o que o caixa tem hoje".
O sócio vive do pró-labore. O lucro que sobrar depois da reserva vira retirada extra, com data marcada e valor planejado. Não é proibição, é ordem: primeiro a empresa se paga, depois o dono.
Caixa cheio não é dia de gastar. É dia de dividir.
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Faturamento é o mesmo que lucro?
Não. Faturamento é tudo que entra. Lucro é o que sobra depois de pagar fornecedor, folha, imposto e os custos do negócio. Confundir os dois é o começo do buraco.
Quanto eu devo guardar de reserva de emergência?
O usual é entre 3 e 6 meses de custo fixo da empresa. Começa com 1 mês e vai somando todo mês até chegar lá.
Posso tirar dinheiro da empresa quando eu precisar?
Pelo pró-labore mensal, sim, esse é o seu salário. Retirada além do pró-labore vem do lucro, depois de formada a reserva. Quem tira do caixa no impulso paga com juros no dia 20.
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