Vendeu muito e sobrou pouco? Faça a conta do lucro
Faturamento não é lucro. Veja como separar custo fixo de custo variável e calcular o lucro real do seu comércio com uma conta simples de caderno.
Faturamento não é lucro. Veja como separar custo fixo de custo variável e calcular o lucro real do seu comércio com uma conta simples de caderno.
Seu Jorge fechou o melhor mês de venda do ano no armazém. Prateleira reposta, caixa girando o dia inteiro, fila no balcão. Quando o mês acabou, ele foi olhar a conta do banco e não entendeu. Sobrou pouco. Tinha vendido muito, trabalhado dobrado, e o dinheiro não acompanhava o movimento. A sensação era de que algo tinha sumido no meio do caminho.
Ele sabia quanto faturou. O que ele não sabia era quanto lucrou. E aí mora o problema de quase todo dono de comércio pequeno. Faturamento é uma coisa, lucro é outra. Seu Jorge vinha confundindo as duas desde que abriu a porta da loja. Vender muito não quer dizer que o dinheiro vai sobrar.
Faturar é tudo que entra no caixa. Se você vendeu R$ 100 em mercadoria, faturou R$ 100. É a soma bruta de tudo que passou pela maquininha, pelo dinheiro vivo e pelo Pix. O número até enche os olhos, mas ele sozinho não paga conta nenhuma.
Lucrar é o que sobra depois de pagar todas as contas da loja. É o dinheiro que realmente fica com você. Para achar o lucro, você precisa tirar do faturamento tudo que saiu para manter a roda girando. A conta é simples, mas precisa ser feita. Faturamento menos custo fixo menos custo variável é igual ao lucro real.
Antes de fazer a conta, você precisa separar direito o que é fixo e o que é variável. Essa separação é o que a maioria erra.
Custo fixo é aquela conta que você paga todo mês, mesmo que não venda nada. Se a loja ficar fechada uma semana, essa conta ainda chega. Aluguel, luz, água, internet, telefone, salário do ajudante. São valores que você consegue prever e que não mudam porque você vendeu mais.
Custo variável é o gasto que cresce junto com a venda. Se você vendeu mais, comprou mais mercadoria. Se passou mais cartão, pagou mais taxa da maquininha. Se fez mais entrega, gastou mais combustível. Esse custo acompanha o movimento do mês.
O dono erra quando mistura tudo numa gaveta só. Ele pega o dinheiro que sobrou no caixa e acha que é lucro. Esquece que o aluguel vence no dia cinco, que a luz pesa no fim do mês e que a mercadoria da prateleira já foi paga com aquele dinheiro. Por isso o banco fica vazio.
Vamos refazer a conta do Seu Jorge. Ele faturou R$ 18 mil no mês. Parece muito. Mas vamos tirar custo por custo, do fixo ao variável, para ver o que realmente sobra.
Primeiro, o custo fixo. O aluguel do armazém custou R$ 2 mil. A energia elétrica, R$ 500. A internet e o telefone, R$ 200. O salário do ajudante com os encargos, R$ 2.300. Somando o custo fixo: R$ 2 mil mais R$ 500 mais R$ 200 mais R$ 2.300 dá R$ 5 mil.
Depois, o custo variável. A mercadoria que ele repôs no mês custou R$ 10 mil. A taxa da maquininha de cartão saiu por R$ 1.500. O combustível da moto de entrega, R$ 400. O material de limpeza e sacolas, R$ 100. Somando o custo variável: R$ 10 mil mais R$ 1.500 mais R$ 400 mais R$ 100 dá R$ 12 mil.
Agora a conta final. Faturamento de R$ 18 mil. Menos o custo fixo de R$ 5 mil. Menos o custo variável de R$ 12 mil. O que sobra? R$ 18 mil menos R$ 5 mil é R$ 13 mil. R$ 13 mil menos R$ 12 mil é R$ 1 mil. Seu Jorge tinha R$ 18 mil de faturamento e R$ 1 mil de lucro real. Os R$ 18 mil viraram R$ 1 mil. É o que realmente sobrou para ele.
Você não precisa de planilha complexa nem de sistema para começar. Um caderno e uma caneta resolvem. Siga estes passos:
A conta é simples, mas o dono pequeno escorrega em quatro pontos. Veja se você cai em algum deles.
Saber o lucro real muda a forma de administrar a loja. Se o lucro está baixo, você tem duas saídas. Vender mais, ou cortar custo. A maioria tenta só vender mais e esquece de olhar o custo. Às vezes, o problema está na mercadoria mal comprada, no ajudante ocioso ou na taxa de cartão mal negociada.
Se o lucro está bom, você decide para onde ele vai. Parte pode voltar para a loja em forma de estoque. Parte pode ir para uma reserva. Parte pode ir para casa. Mas você só decide isso com clareza depois que o número estiver na sua frente. Sem a conta feita, qualquer decisão é chute.
Se a sua loja tem imposto, não tente adivinhar o valor. Junte as notas e leve para o contador. Ele calcula o que você precisa separar. O lucro que você calculou no caderno ainda não tem o desconto do imposto. O contador fecha essa conta para você.
Para quem cansa de fazer isso no papel, um sistema de gestão como o Mais Simples WEB faz essa conta sozinho, cruzando as vendas e os custos cadastrados. Mas o importante é começar a entender o número hoje, mesmo que seja à mão.
Pegue o mês que acabou. Reúna o que entrou e o que saiu. Sente com um caderno e faça a conta do Seu Jorge na sua realidade. Pode ser que você se assuste com o resultado. Pode ser que você se alivie. De um jeito ou de outro, você vai saber exatamente onde está o dinheiro da sua loja. E quem sabe o lucro real, comanda o negócio com firmeza. A conta não mente, ela só mostra o que os olhos cansados de tanto vender não conseguem ver.
Toda semana uma conta simples pra você enxergar melhor o dinheiro da sua loja. Sem enrolação e sem propaganda.